quinta-feira, 10 de abril de 2014

AURORA: Linha do antigo Trem em completo abandono*

Por José Cícero
Imagens da linha férrea de Aurora no mais completo estado de abandono e deteriorização

Por mais que acreditemos numa sociedade tida como consciente, engajada e minimamente politizada acerca dos seus direitos e deveres sociais. Com relação ao transporte ferroviário no entanto,  nestes últimos anos  está ficando cada vez mais difícil explicar a razão de todo o silêncio histórico, assim como  da grande omissão  diante de uma perspectiva essencial e estratégica para o desenvolvimento do país como tal deveria ser esta via de transporte para o desenvolvimento do país. Mas não. 
A  atual situação de abandono e desmantelamento por que passa o sistema ferroviário brasileiro em geral e cearense em particular, aponta para a falta de uma visão estratégica, além de um total descaso da sociedade política  para os interesses populares.  O que é muito mais visível no nosso interior.

O mais triste é saber que, mesmo tendo se constituído num dos mais significativos fatores de progresso do nosso país, notadamente no interior, o trem vem sendo tratado nos dias atuais (pela classe política e empresarial) como um exemplo de atraso. Ele que, por sinal  representa, além de um imenso patrimônios do povo brasileiro, principalmente  dos pobres e  desafortunados dos sertões  nordestinos - um legado histórico.  

Algo por demais lamentável, vez que o transporte ferroviário foi, indubitavelmente, o maior exemplo de progresso e de modernidade a exercer pela primeira vez na história o seu  papel pioneiro nos rincões do nosso Cariri. Coisa que em Aurora, por exemplo, não foi lá muito diferente.

Tendo inaugurado sua estação no dia 7 de setembro de 1920 num ato festivo dos mais concorridos, a cidade de Aurora por vários anos ficou sendo o entroncamento final dos trens da então  Rede Viação Cearense(RVC). Recebendo assim grandes levas de  viajantes, mercadorias e  comerciantes de todo o Cariri, bem  como de parte da Paraíba e do Pernambuco.

Bons tempos aqueles em que o comércio aurorense avançara consideravelmente. Por assim dizer, o primeiro sinal de um progresso alvissareiro que, só em meados da década de 80 quando o trem de passageiro fora finalmente desativado Aurora, assim como diversos outros municípios e lugarejos situados às margens da linha férrea iriam se ressentir até os dias atuais da sua presença.   
Uma maldade política e elitista quase sem nenhum precedente na nossa história. Mas que a população, infelizmente, até hoje parece  não ter compreendido  o verdadeiro  grau deste prejuízo visto  ainda continua votando nos seus algozes. E o que é pior. A volta do trem não ocupa sequer um mínimo  lugar na agenda dos debates.

Em suma, nosso sistema ferroviário agora é um descalabro. E as imagens, como se diz, falam mais do que quaisquer palavras. 
Incrível como nem a população nem os políticos, quer sejam por cegueira, desinformação ou por má fé  não estão nem aí para esta problemática, cujos prejuízos já começam a ser sentidos e no futuro deverão ser ainda maiores.

Mas a memória ferroviária ainda é algo que nos toca fundo. Principalmente junto aos que tiveram a felicidade de um dia vivenciar de perto a existência do trem em suas intermináveis idas e vindas. Ligando e interligando por anos a fio os sertões ao litoral. Misturando assim numa só plataforma brancos e pretos, ricos e pobres, gente povo e políticos. Choros e risos, acenos e abraços. Encontros e desencontros, enfim, chegada e despedidas... O trem é por fim, uma saudade que não passa. Razão porque não haveremos de aceitar a chamada memória do esquecimento. Por fim, uma das nossas reminiscências afetivas mais altivas e ressabiadas.   
Afinal de contas, quem dos contemporâneos do trem de ferro será capaz de olhar agora para as linhas de ferro abandonadas, cobertas de matos; sem ter que senti por dentro um misto de saudade e indignação? As belas pontes em péssimo estado de conservação. Os dormentes carcomidos, os lindos prédios das antigas estações no mais das vezes( com raras exceções), deteriorados caindo aos pedaços sem recordar do glamour de uma passado de glória.  Sem se deixar ser tocados pelas recordações de um tempo ido que não volta mais?
Mesmo assim é bom saber  que  o fim do transporte ferroviário teve um propósito. Quer seja o de servir às elites empresariais: vias de regras, montadoras de automóveis, empreiteiros, lobistas e empresários do transporte rodoviário em geral.  Os grandes patrocinadores da maioria dos políticos carreiristas que há muito vêm destruindo como verdadeiros cupins humanos este país. Razão da interrupção e do silêncio que até hoje alimentam os homens de Brasília em relação a revitalização do  trem.

Por isso, nunca é demais afirmar que o fim do Trem – um meio de transporte barato, eficiente, menos poluente, seguro e eminentemente popular constitui um crime dos mais gritantes. Algo que feriu de morte o verdadeiro interesse da nação. Um crime de lesa-pátria.

O mais curioso: Para ludibriar o povo e mais uma vez  agradar os patrocinadores políticos – os magnatas do poder -  inventaram a tal Transnordestina, por sinal mais um embrulho  que,  de tão cara e custosa está sangrado impiedosamente as parcas finanças da nação. E, o mais lamentável: Em boa parte estas obras estão sendo construídas em paralelo as  linhas e aterros já existentes. Ora, por que não aproveitam as que já existem?

Enfim, não pode  haver explicação sensata para o estado de total abandono e sucateamento por que passa a antiga malha ferroviária da então Rede Ferroviária Federal S.A(Reffesa). Para piorar, os ricos do interior ao longo da via férrea estão agora invadindo os espaços e se apropriando do que ainda resta deste patrimônio do povo.  Outra vez a população está sendo passado para trás...

Uma vergonha em todos os sentidos contra qual deveriam se indignar todos os verdadeiros cidadãos deste país.  Porque no fundo, temos uma imensa dívida de gratidão com o trem. Talvez o maior legado já ocorrido nos grotões dos nossos sertões. Posto que, foi definitivamente o trem quem colocou o sertão de vez  no mapa do Brasil.
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Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.
fotos:Jc

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